Economia deverá enfrentar semestre de alívio e outro de tensão em 2026

Especialistas do mercado financeiro preveem que 2026 será um ano de dois tempos para a economia brasileira. Entre janeiro e junho, a combinação de ambiente externo favorável e início de cortes na Selic deve abrir espaço para valorização de ativos. Já a partir de julho, a disputa eleitoral e o aumento das dúvidas sobre a trajetória das contas públicas tendem a provocar forte volatilidade.

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Primeiro semestre: ventos externos e início da redução dos juros

Analistas do UBS classificam 2026 como “binário”. No primeiro semestre, fatores globais positivos e a expectativa de queda da Selic devem sustentar o humor dos investidores. O ciclo de cortes, segundo projeções, tem de começar até março e pode levar a taxa básica de 15% para cerca de 12,25% ao fim do ano, de acordo com o boletim Focus.

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O cenário internacional também ajuda. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento global em torno de 3%, sem recessão nos Estados Unidos. O J.P. Morgan Private Bank destaca que investimentos em inteligência artificial continuam impulsionando a economia norte-americana. Nos EUA, o gasto com IA já pesou mais no PIB de 2025 do que o consumo, e o pacote de corte de impostos do governo Trump deve injetar US$ 240 bilhões entre 2025 e 2026.

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Espera-se ainda que o Federal Reserve mantenha um ciclo de redução de juros, favorecendo mercados emergentes. O amplo diferencial entre as taxas brasileira e americana sustenta o real no primeiro semestre.

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Contraponto doméstico: risco fiscal limita avanço

Apesar do alívio monetário esperado, economistas lembram que o Banco Central só poderá aprofundar cortes se houver sinal claro de ajuste fiscal após as eleições. O UBS calcula que a dívida pública subirá de 79,6% do PIB em 2025 para 83,8% em 2026. Sem superávits primários consistentes, cresce o receio de “dominância fiscal”, quadro em que juros perdem eficácia porque o endividamento elevado compromete a política monetária.

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Despesas obrigatórias pressionam o Orçamento. O reajuste real do salário mínimo e a vinculação de benefícios sociais avançam a ritmos superiores ao limite de 2,5% do novo arcabouço fiscal. Medidas populares, como a isenção de IR para rendas de até R$ 5 mil, elevam a demanda em 0,1% a 0,2% do PIB, forçando o BC a manter juros altos por mais tempo.

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Impactos sobre mercado, crédito e emprego

Com a Selic ainda elevada no início do ano, setores sensíveis a financiamento seguem sob pressão. A inadimplência das famílias permanece alta; em setembro de 2025, o comprometimento de renda com dívidas atingiu 28,5%, recorde da série do BC iniciada em 2005. Empresários relatam dificuldade para captar recursos, e a recuperação do crédito só deve ganhar força no final de 2026.

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A bolsa desponta como ativo mais promissor no primeiro semestre graças a preços atrativos e expectativa de aumento de 18% nos lucros corporativos, segundo consenso Bloomberg. Já no mercado de trabalho, a taxa de desemprego de 5,4% (outubro) — bem abaixo do nível considerado neutro, de 8% — sustenta a inflação de serviços, projetada em 5,2% para 2026, acima da meta geral de 3%.

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Imagem: criada usando ChatGPT

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Segundo semestre: eleições ampliam incerteza

A partir de julho, a campanha presidencial tende a dominar a cena econômica. Investidores acompanharão declarações dos candidatos sobre ajuste fiscal para 2027. Caso o vencedor não apresente plano crível, o real pode sofrer episódios de fuga de capital, elevando a volatilidade cambial e pressionando novamente os juros.

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A projeção de crescimento do PIB recua de 2,3% em 2025 para 1,8% em 2026, conforme o Focus. O mercado já precifica avanço modesto, mas ainda vê risco de deterioração maior se o próximo governo optar por aumentos de impostos em vez de cortes de gastos estruturais.

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Para 2027, economistas apontam a necessidade de rever regras de reajuste do salário mínimo e de benefícios sociais, além de reformas que segurem o ritmo das despesas obrigatórias. Sem essas medidas, o Brasil pode entrar no chamado ciclo de dominância fiscal, caracterizado por juros estruturalmente altos, baixo investimento e perda de competitividade.

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A volatilidade deve ser a marca do segundo semestre, com oscilações bruscas em ativos domésticos à medida que pesquisas eleitorais e sinais de compromisso fiscal se tornarem públicos.

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Com informações de Gazeta do Povo

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