A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de manter engavetado o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apesar do apoio formal de 41 senadores, levou a oposição a redobrar esforços para conquistar a maioria da Casa nas eleições de 2026.
No próximo pleito, 54 cadeiras estarão em disputa, duas para cada uma das 27 unidades da Federação. O Partido Liberal (PL), principal legenda de direita, aposta que uma composição mais conservadora permitirá, a partir de 2027, pautar o impedimento de ministros do STF e rever o equilíbrio entre os Poderes.
O pedido contra Moraes compõe o chamado Pacote da Paz, que também prevê anistia aos réus de 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado. A peça de acusação atribui ao ministro crimes de responsabilidade, como usurpação de competência e abuso de autoridade.
A ofensiva ganhou fôlego com a sanção imposta pelos Estados Unidos a Moraes por meio da Lei Magnitsky Global, que o acusa de autorizar detenções arbitrárias e cercear a liberdade de expressão. O episódio tornou o caso conhecido internacionalmente, mas não abalou o apoio que o magistrado mantém no Brasil.
Para viabilizar a troca de comando no Senado, o PL intensificou o controle sobre suas bases estaduais. Uma resolução partidária proíbe filiados de apoiar candidatos de outras siglas, sob risco de corte de recursos do fundo eleitoral ou expulsão. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, também passou a intervir diretamente na formação de chapas.
Entre os movimentos recentes, destaca-se a filiação do senador Márcio Bittar (AC), ex-União Brasil. No estado de São Paulo, o partido mantém como prioridade a candidatura do deputado Eduardo Bolsonaro ao Senado, embora outros nomes — como Guilherme Derrite (PP), Gil Diniz (PL) e Marco Feliciano (PL) — sejam cogitados caso o filho do ex-presidente não concorra.
A coleta de 41 assinaturas — número mínimo para abrir o processo de impeachment — envolveu parlamentares de nove partidos de centro e direita. Para pressionar Alcolumbre, senadores chegaram a obstruir votações e ocupar a Mesa Diretora por dois dias. Caso a denúncia fosse lida em plenário, Moraes seria afastado por até seis meses.
Imagem: Valter Campanato via gazetadopovo.com.br
Paralelamente, o senador Esperidião Amin (PP-SC) protocolou pedido de CPI para investigar as mensagens de ex-assessores de Moraes no episódio apelidado de “Vaza Toga 2”, que, segundo oposicionistas, mostraria perseguição a influenciadores e jornalistas críticos ao magistrado.
Especialistas ouvidos apontam que a pressão deve extrapolar o PL. Siglas do centro avaliam aderir ao discurso pró-impeachment, enquanto aguardam eventuais novas sanções internacionais contra outros ministros do STF — entre eles Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino — e contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Embora reconheçam o desgaste do Supremo, cientistas políticos consultados consideram improvável que o afastamento de Moraes avance sob a atual composição do Senado. Eles avaliam, contudo, que o custo político de manter o processo parado tende a crescer à medida que a campanha eleitoral de 2026 se aproxima.
Com o atual pedido na gaveta e a perspectiva de Moraes assumir a presidência do STF em 2028, a narrativa de impunidade deve guiar a estratégia eleitoral da direita, transformando a disputa pelas cadeiras do Senado no principal campo de batalha da oposição no próximo ano.
Com informações de Gazeta do Povo
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