Brasília, 4 jan. 2026 — A prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro por tropas norte-americanas, divulgada na madrugada de sábado (3), marca uma guinada na política de segurança dos Estados Unidos para a América Latina e gera repercussões diretas no Brasil.
Na operação, forças dos EUA entraram em território venezuelano, detiveram Maduro e o levaram aos Estados Unidos, onde ele responderá a acusações de narcoterrorismo. A ação ocorreu depois de semanas de sanções, discursos duros e movimentação militar no Caribe.
A intervenção reflete a Estratégia Nacional de Segurança apresentada por Washington no fim de 2025. O documento, interpretado como uma atualização da Doutrina Monroe, prioriza o combate ao crime organizado transnacional, ao narcotráfico, à imigração ilegal e à influência de potências como Rússia e China no hemisfério.
Ao confirmar a detenção, o ex-presidente Donald Trump afirmou que o episódio inaugura “uma nova fase” no relacionamento dos EUA com governos considerados hostis na região.
Horas após o anúncio, autoridades venezuelanas fecharam — e reabriram em seguida — a passagem terrestre com Roraima. O Itamaraty informou que a situação permanece estável, sem registros de fluxo migratório atípico, mas reforçou o monitoramento na fronteira, principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil desde 2017.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação como violação da soberania venezuelana. A posição ocorre em meio a tentativas recentes de aproximação com Washington.
Imagem: Leardo DesideriBrasília
Analistas veem na ofensiva um alerta a outros países. Para Luiz Augusto Módolo, doutor em Direito Internacional pela USP, a Casa Branca pode pressionar governos que não demonstrem resultados concretos contra facções ligadas ao narcotráfico. Ele cita o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que o Brasil ainda não reconhece como organizações terroristas — ao contrário de Argentina e Paraguai.
Módolo avalia, contudo, que a próxima nação a enfrentar pressão direta tende a ser a Colômbia, governada por Gustavo Petro, onde seria possível esperar uma transição eleitoral sem uso imediato de força militar. Segundo o especialista, Maduro foi alvo porque teria “esgotado todas as vias diplomáticas” oferecidas pelos EUA.
Com a ação na Venezuela, analistas apontam para a América Latina como prioridade renovada na política de segurança dos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo
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