Brasília – A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) solicitou informações formais ao governo federal depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu, em junho, auditoria sobre a construção do pavilhão brasileiro na Expo 2025 Osaka, no Japão. A estrutura é responsabilidade da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O Requerimento de Informações RQS nº 794/2025, protocolado pela parlamentar em 21 de outubro, questiona a substituição do projeto arquitetônico vencedor de um concurso nacional pelo modelo pré-moldado denominado “Rental Pavilion”. O gabinete do vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, tem até 30 dias para responder.
Damares acusa a ApexBrasil de falta de transparência e cita gastos superiores a US$ 20 milhões – montante equivalente ao orçamento do projeto original, assinado pelo escritório Studio MK27, de Marcio Kogan. Entre os pontos levantados estão:
Relator do processo, o ministro Walton Alencar Rodrigues disse em plenário ter visitado o pavilhão em Osaka e constatado que a obra não corresponde ao projeto premiado. Ele apontou ausência de divulgação de contratos, critérios de seleção e valores, além de risco de conflito de interesses porque a auditoria interna da ApexBrasil responde diretamente à Presidência da agência.
Em nota, a ApexBrasil afirmou que a mudança foi motivada por “risco de inexequibilidade” do projeto original devido a inflação no setor de construção japonês e escassez de fornecedores aptos a erguer pavilhões do tipo A. Segundo a agência, o próprio governo japonês sugeriu o modelo do tipo X, menor e menos complexo, e se ofereceu para construí-lo.
A ApexBrasil informou ter investido cerca de R$ 190 milhões – R$ 17 milhões a menos que na Expo Dubai 2020 – e contabilizado 1,5 milhão de visitantes entre 13 de abril e 13 de outubro de 2025. O espaço recebeu o prêmio Silver na categoria “Conceito” e, de acordo com a agência, gerou quase 2.500 menções na imprensa nacional e internacional.
Imagem: Flavio Coddou
Sobre o princípio de incêndio, a entidade disse que o aquecimento de um disjuntor provocou fumaça sem danos estruturais ou feridos, permitindo retomada rápida da obra e inauguração simultânea aos demais países.
Nas redes sociais, o empresário e influenciador Marcos Freitas classificou a exposição brasileira como “manifesto político disfarçado de arte”, ao comparar a apresentação com exibições tecnológicas de outros países.
Procurado, o MDIC não respondeu até a publicação desta reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo
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