O ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha avaliou que o Partido dos Trabalhadores pode estar cometendo um equívoco ao subestimar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2026. A declaração foi feita em entrevista publicada nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Cunha, considerado um dos conselheiros mais próximos de Lula, classificou a eventual disputa contra Flávio como “dificílima” e afirmou que a economia tende a perder protagonismo no debate eleitoral. Segundo ele, o sobrenome Bolsonaro já possui rejeição consolidada, o que reduziria o efeito de ataques ao senador ao longo da campanha. “Qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula”, disse.
Para o ex-deputado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), seria um adversário “mais viável de ser derrotado” pelo PT. Ele argumenta que Tarcísio ainda é pouco conhecido no país e pode ampliar sua rejeição à medida que se torne figura nacional. “É um candidato novo, meio desconhecido, não tem charme nem carisma”, declarou, acrescentando que candidatos identificados com o mercado financeiro da avenida Faria Lima geralmente não vencem eleições presidenciais.
Cunha também avaliou que a frente ampla formada por Lula em 2022 não foi integralmente preservada durante o governo e que o presidente “perdeu tempo” ao adiar a busca por novos apoios. Ele defende que essa articulação com MDB, PSD e outros partidos de centro poderia ter começado “um ano, um ano e pouco atrás”. Mesmo assim, acredita que o PT tem “obrigação histórica” de manter sua identidade de esquerda.
Na visão do conselheiro, os partidos de centro hoje ligados ao governo tendem a compor alianças nacionais, mas podem se fragmentar nos estados, cenário que, segundo ele, ainda seria administrável pelo Palácio do Planalto.
João Paulo Cunha demonstrou cautela sobre a capacidade de Lula reduzir sua rejeição até o meio do ano, mesmo diante de indicadores econômicos positivos. Ele prevê uma campanha marcada por “muitas mentiras, fake news e uso de inteligência artificial”, com a economia fora do centro do debate.
As eleições presidenciais estão previstas para outubro de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo
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