Pequim – 05/09/2025. O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, declarou que o governo brasileiro está aberto a aprofundar a cooperação militar com a China. A afirmação foi feita na capital chinesa durante visita oficial que incluiu a participação no desfile que celebrou os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.
Amorim confirmou que generais brasileiros serão designados para a embaixada em Pequim, marcando um passo inédito na relação bilateral. Até então, apenas a representação em Washington dispunha de oficiais de mais alta patente das Forças Armadas.
O envio dos militares foi autorizado pelo Decreto 12.480, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho de 2025. O ato estabelece a lotação de três adidos militares na China: um oficial-general do Exército, um contra-almirante da Marinha e um coronel da Aeronáutica.
Os adidos representarão o Ministério da Defesa na promoção de intercâmbio de informações, fortalecimento de laços institucionais e expansão de projetos conjuntos. “Isso indica a possibilidade também de cooperação em outras áreas”, afirmou Amorim, destacando que a iniciativa partiu do próprio Exército.
Segundo o assessor, a aproximação ocorre em meio a tensões geopolíticas e ao que ele classificou como enfraquecimento do sistema multilateral pelos Estados Unidos. Amorim citou a China como “a principal parceira comercial” do Brasil e mencionou oportunidades em investimentos, transferência de produção, financiamento e defesa.
A agenda em Pequim incluiu reuniões com o presidente Xi Jinping e com o chanceler Wang Yi. Amorim entregou carta do presidente Lula ao líder chinês tratando do aumento de tarifas norte-americanas, da guerra na Ucrânia, da situação em Gaza e da proposta de governança global apresentada por Pequim.
Imagem: ALEXANDER KAZAKOV
O assessor expressou apreensão com o deslocamento de navios de guerra e submarinos de propulsão nuclear dos Estados Unidos para a costa da Venezuela, classificando a movimentação como “preocupante”. Ele ressaltou que a cooperação militar com a China não deve comprometer a autonomia da América do Sul.
Com as novas designações e o diálogo ampliado, Brasil e China inauguram uma fase que, segundo Amorim, poderá envolver parcerias estratégicas em defesa, sem abrir mão da soberania regional brasileira.
Com informações de Gazeta do Povo
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