A vasta biodiversidade e os recursos hídricos da Amazônia colocam a região no foco de um novo modelo econômico baseado na manutenção da floresta em pé. O tema foi discutido no talk “Vozes da Amazônia – Desafios e oportunidades para o Amazonas”, realizado em Brasília pelo Metrópoles em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a Amazônia reúne 81% da água superficial do Brasil e aproximadamente 20% das espécies conhecidas da Terra – mais de 130 mil já catalogadas. Esse conjunto de ativos naturais reforça o debate sobre como monetizar os chamados serviços ambientais.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) lembrou que a mata amazônica sequestra carbono, influencia o regime de chuvas e garante equilíbrio climático em todo o continente. Ele citou os “rios voadores” – correntes de umidade que partem da floresta – como fundamentais para culturas como soja no Centro-Oeste brasileiro e vinhos na Argentina.
Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que a bioeconomia global já movimenta cerca de 2 trilhões de euros e emprega 22 milhões de pessoas. Para Braga, setores como fármacos e perfumaria podem usar princípios ativos amazônicos e competir no mercado interno e externo.
O professor Márcio Holland, da Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou que o Amazonas mantém 97% de sua cobertura florestal, com apenas 3% de desmatamento, situação oposta ao histórico de outras regiões brasileiras.
Participantes do encontro apontaram o Polo Industrial de Manaus como peça-chave para financiar novos negócios sustentáveis. Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do CIEAM, afirmou que a indústria local continuará relevante enquanto for reconhecida como estratégica para o país.
Aprovada pelo Congresso, a reforma tributária manteve na Constituição os incentivos da Zona Franca de Manaus. Para Rocha, a medida garante previsibilidade a investidores. Braga acrescentou que, com a mudança, o modelo passou a ser “o mais seguro do ponto de vista do investimento”.
Especialistas alertaram que a falta de logística adequada – transporte fluvial, portos e integração viária – dificulta a competitividade de cadeias produtivas sustentáveis em áreas isoladas da Amazônia.
O consenso do debate é que a combinação de ciência, indústria e bioeconomia pode inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento regional, convertendo a biodiversidade amazônica em riqueza sem derrubar a floresta.
Com informações de Metrópoles
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