O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, na terça-feira, 5, que a educação domiciliar tem origem racista. A declaração foi feita durante a cerimônia de reativação do Conselho do Desenvolvimento Econômico Sustentável, em Brasília. Alckmin disse que o homeschooling teria surgido na América do Norte depois que a Suprema Corte determinou a integração de brancos e negros nas mesmas escolas e elogiou o fato de crianças frequentarem creches em vez de estudarem em casa.
A fala ocorreu enquanto o vice-presidente abordava o tema das fake news. Representantes do movimento de educação domiciliar contestaram a afirmação. Para Gaba Costa, diretora executiva do Classical Conversations Brasil — programa de tutoria adotado por famílias que educam filhos em casa —, Alckmin desconsiderou evidências históricas e o perfil atual dos praticantes.
Segundo Gaba, educar crianças no ambiente doméstico é um costume milenar, ao passo que a escolarização formal é mais recente. Ela lembra que o modelo moderno de homeschooling voltou a ganhar força nos Estados Unidos no fim da década de 1970, motivado por críticas à ineficiência do sistema público, à perda de liberdade pedagógica e ao fracasso de reformas escolares, sem relação com segregação racial.
A defensora do movimento destaca ainda que o arcabouço teórico em favor da modalidade baseia-se na liberdade educacional e em críticas ao autoritarismo estatal. “Questões de raça não têm relevância nesse contexto”, afirmou.
Informações oficiais do Departamento de Educação dos EUA indicam que, em 2019, 41% dos estudantes educados em casa no país eram negros, hispânicos, asiáticos ou integrantes de outras minorias. Reportagem da BBC publicada em 2012 apontou aumento expressivo de famílias negras que adotaram o homeschooling em busca de segurança, representatividade curricular e ensino sem racismo institucional.
Um estudo de 2015 conduzido por Brian Ray, presidente do National Home Education Research Institute, revelou que alunos negros educados em casa obtiveram pontuações entre 23 e 42 pontos percentuais acima dos colegas negros da rede pública em testes acadêmicos.
Imagem: Reprodução via revistaoeste.com
Relatório divulgado em maio deste ano pela Relatora Especial da ONU para o Direito à Educação, Farida Shaheed, reconheceu a educação domiciliar como parte da liberdade educacional, ressaltando o direito das famílias de instruir seus filhos em casa para garantir, entre outros fatores, a segurança das crianças.
Além de dirigir o Classical Conversations Brasil, Gaba Costa é mestre em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio, idealizadora da plataforma Simeduc e integrante do conselho da Global Home Education Exchange (GHEX), organização internacional de defesa da liberdade educacional.
Com informações de Revista Oeste
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