O advogado José Luís Oliveira Lima, que representa o banqueiro Daniel Vorcaro, procurou a Polícia Federal para comunicar a disposição do cliente em negociar um acordo de delação premiada. A informação foi confirmada por fontes ligadas às investigações.
Segundo relato feito à PF, Vorcaro estaria disposto a entregar todo o material que possui e “não poupar ninguém” envolvido no esquema investigado. Questionado, o advogado afirmou que, “em razão da sensibilidade do caso”, não comentará o assunto neste momento.
Enquanto a defesa indica colaboração, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na quarta-feira (18) a prorrogação por 60 dias do inquérito que apura fraudes financeiras vinculadas ao Banco Master. O pedido partiu da própria Polícia Federal, que argumentou necessidade de diligências adicionais para esclarecer os fatos.
Investigadores informaram que ainda há grande volume de material a ser periciado, incluindo documentos, computadores e mais de 100 celulares obtidos nas três fases da Operação Compliance Zero; oito desses aparelhos pertencem a Vorcaro.
As apurações apontam para a criação de carteiras de crédito falsas e desvio de recursos para patrimônio particular, com prejuízo estimado em mais de R$ 12 bilhões. A primeira etapa da operação, deflagrada em novembro de 2025, cumpriu mandados contra a cúpula do Banco Master e afastou o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, suspeito de liberar bilhões em operações irregulares.
Em janeiro de 2026, a segunda fase concentrou-se no rastreamento de valores e recuperação de ativos, resultando no bloqueio de R$ 5,7 bilhões e em 15 mandados de busca em endereços ligados a Vorcaro e familiares. Entre os bens apreendidos estavam carros de luxo e quantias em dinheiro.
A terceira etapa, em março de 2026, revelou um esquema de coerção e infiltração em órgãos reguladores. A PF identificou a atuação de um grupo denominado “A Turma”, suposta milícia privada encarregada de monitorar e intimidar opositores e jornalistas. Servidores do Banco Central teriam atuado como “consultores privados” de Vorcaro em troca de propina.
Nessa fase, Vorcaro foi novamente preso, e o STF bloqueou até R$ 22 bilhões em bens do grupo. Os investigados respondem por gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de justiça.
Uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro pode trazer novos elementos às investigações em curso.
Com informações de G1
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